MDS lança Trilha 3 do CRAS/PAIF e reforça atuação do SUAS na prevenção da violência contra mulheres

O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), em parceria com o Ministério das Mulheres, realizou nesta terça-feira (17) o lançamento da Trilha 3 do CRAS/PAIF, iniciativa voltada à prevenção da violência doméstica e familiar contra as mulheres no âmbito do Sistema Único de Assistência Social (SUAS). A ação integra a programação do Mês da Mulher e reforça o papel estratégico da proteção social básica na atuação preventiva nos territórios. O evento contou com a presença de gestores, trabalhadoras e trabalhadores do SUAS, além do Diretor-Executivo do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS), José Arimateia de Oliveira.

A Trilha 3 orienta o trabalho social com famílias no âmbito do PAIF, desenvolvido nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), com foco na identificação de situações de risco, no acolhimento qualificado e na articulação com a rede de proteção. A proposta busca fortalecer a atuação das equipes na prevenção de violências antes do agravamento das situações.

Durante a cerimônia, a Gerente de Projetos do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS), Ana Carine do Nascimento Feitosa, que participou do evento representando o Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), destacou a gravidade do cenário atual e trouxe dados que evidenciam o crescimento da violência contra as mulheres no país. Ao contextualizar a sua fala, reforçou a urgência da atuação no território e no cotidiano das equipes do SUAS. “Nos últimos cinco anos nós tivemos um aumento da violência contra a mulher de 14,5%. Isso é grave. Somos nós aqui que todos os dias sucumbimos a essa violência”, disse Carine Feitosa.

A partir dessa realidade, Carine Feitosa aproximou os dados da vivência concreta dos territórios e das equipes, dimensionando o impacto das mortes de mulheres por violência. Ao exemplificar, relacionou os números à capacidade do espaço onde ocorria o evento, tornando visível a dimensão da perda. “Teríamos quatro vezes esse auditório de mulheres mortas em janeiro deste ano”, enfatizou Carine Feitosa ao comparar o número de 947 mortes de feminicídio registradas em janeiro deste ano.

Sua fala também trouxe uma perspectiva direta sobre o papel da Política de Assistência Social na prevenção, destacando que a atuação das equipes do PAIF não pode se limitar à resposta após a violência, mas deve antecipar situações de risco. Ao compartilhar uma experiência pessoal, evidenciou o impacto da violência no cotidiano profissional e a necessidade de instrumentos concretos para intervenção.

Para finalizar, a conselheira fez um chamado à mobilização coletiva dentro e fora das estruturas institucionais, reforçando que o enfrentamento à violência exige posicionamento ativo das equipes e das instituições. “Que nós vistamos esse Ministério com essa blusa e vamos lá para fora, porque assim como a violência que rompe os nossos lares, nós precisamos romper os espaços institucionais e mostrar que estamos juntos nisso.”

A construção da Trilha 3 responde a essa necessidade ao oferecer diretrizes práticas para o trabalho social com famílias, fortalecendo a prevenção no âmbito da proteção social básica e ampliando a capacidade do SUAS de atuar de forma antecipada, integrada e territorializada.

Essa iniciativa reafirma o compromisso do Governo Federal com o fortalecimento da política de assistência social e com a prevenção da violência contra as mulheres, consolidando o SUAS como uma rede essencial de proteção e garantia de direitos.

Confira a transmissão completa do evento clicando aqui.

Posts Similares